Como é necessário economizar, sempre optamos por usar alternativas livres na empresa. O OpenOffice, por exemplo, substitui com tranquilidade o MSOffice, com alguns funcionários nem mesmo percebendo que estão usando programas diferentes. Mas (e sempre há um ‘mas‘…) sempre há aqueles que aprenderam a usar o Word e não ‘Editor de Textos’, e encaram o OpenOffice como um programa menor, colocando a culpa sobre o mesmo, em qualquer problema que ocorra. O de sempre.
O relatório está normal, você só precisa dar um zoom de 500%
Ainda bem que ela não trabalha em nada crítico….
Dias atrás, precisei criar, em “caráter emergencial”, um sistema no site da empresa para realização de uma “pesquisa de satisfação”. E, por caráter emergencial, eu quero dizer o resultado exato do diálogo “Olha, isso eu consigo fazer em uns três dias, se quiser bem feito” – “OK, entrega amanhã então”.
Como a criação da pesquisa envolvia a inclusão de pelo menos 96 elementos ‘radio button’, mais outros campos, parecia ÓBVIO que mais alguém além de mim deveria testar o sistema antes dele ser efetivamente utilizado. E acabei passando essa tarefa para a responsável pelo pedido de criação do sistema. Afinal, ninguém melhor que ela para saber se algo estava certo ou errado, correto?
Aquele botão que fica onde o Sol não bate, sabe?
Prestar suporte por telefone nem sempre é uma tarefa agradável, mas quando o usuário encontra-se longe ou você está mais do que atarefado, é a única solução. O problema começa quando o usuário mal sabe mexer no computador, e você precisa passar (ou receber) o que está aparecendo na tela. Provavelmente todos já passaram pela situação de dar as ‘coordenadas’ para chegar a um programa, e no final perceber que o usuário mal clicou no botão ‘Iniciar’ ainda.
Mas pelo menos agora está cheirando lavanda….
Essa história aconteceu há vários anos, com meu primo, na época em início de carreira na prestação de serviços na área de informática. É, provavelmente, o primeiro registro de um WTF que tenho lembrança.
Por indicação, ele havia conseguido um bom contrato com uma empresa, em outra cidade, coisa de uma hora de viagem de carro. “Oras, a grana é boa, há bastante trabalho, e eu posso configurar um servidor SSH ligado no modem ADSL para acessar a empresa remotamente. Não há motivo para preocupações, certo?” – Errado. Havia a mulher do dono da empresa.
Não é porque não uso que não preciso dele funcionando!
Temos um sistema de controle de dados comerciais na empresa que, digamos assim, funciona. OK, talvez eu esteja sendo chato, o sistema até que não é tão ruim, comparado com muitos que eu já vi, mas alguns detalhes chatos me incomodam, como a necessidade de ter que instalar os arquivos localmente (apesar do BD ficar no servidor) e a interface que lembra muito o Windows 3.1. Um dos principais problemas do software é que algumas funções dependem exclusivamente do MS-Office, mas conseguimos convencer a empresa que nos vendeu o software a adaptar alguns dos recursos para o OpenOffice. Uma ou outra coisa não pôde ser adaptada, mas nunca foi nada de importante…
Ok. Alguns meses depois da implantação, recebemos uma atualização do sistema. Como sempre, iniciei todo o processo típico de atualização (testar exaustivamente, comunicar um dia antes, fazer backup de tudo, comunicar que o sistema vai sair do ar, perceber que ninguém saiu, derrubar os usuários e deixar o sistema offline, fazer as atualizações necessárias, liberar o acesso, e finalmente pedir para que os usuários reportem algum problema).
Tudo atualizado, o sistema rodando tranquilo, até que a supervisora do setor me liga, perguntando se houve algum problema com a atualização. Como não havia nenhuma chamada, respondo que até o momento estava tudo ok, mas pedi para que ela verificasse com as funcionárias se elas haviam encontrado algum bug no sistema.
E, cinco minutos depois, uma usuária envia um email com vários screenshots de mensagens de erro, informando que todas as telas eram importantíssimas, e que a solução daqueles erros era urgente. Verificando as telas de erro, percebi que todas chamavam alguma função do MS-Office, e, achando que talvez as nossas implementação tivessem se perdido na atualização, enviei um email para o suporte do sistema, pedindo uma solução rápida.
Às vezes, é normal técnicos de suportes subestimarem seus usuários, e serem surpreendidos em situações das mais estranhas possíveis. Semana passada, passei por uma situação dessas, envolvendo arquivos não enviados para o banco, uma tempestade de raios, e muita cara-de-pau…
Estavámos tendo problemas com o envio de arquivos para nosso banco, arquivo esse com informações referentes aos boletos que geramos no sistema, e que deve ser enviado via software do banco. Como o problema já persistia há mais de três semanas, fui chamado para tentar descobrir o que estava acontecendo. E, assim, após dezenas de ligações para os bancos, análise dos arquivos e acusações entre o Faturamento e o Financeiro, descobri que o sistema havia sido alterado por alguém (que provavelmente nunca saberemos quem é) e por isso o arquivo estava sendo gerado com erros.
Só o processo de investigação para chegar à solução do problema já geraria um WTF gigantesco, mas o melhor ainda estava por vir: resolvi acompanhar por mais um tempo o problema, verificando se o arquivo era corretamente enviado e processado pelo banco. Mas logo no segundo dia, nem o sistema do banco nem a própria atendente de lá acusaram o recebimento do arquivo. E agora?
Se quiser, posso te emprestar uma lupa…
Ah, o setor Comercial e suas necessidades sem o menor sentido…..
Dias atrás, recebi uma solicitação para alterar um relatório em uso pelo setor Comercial, onde deveria acrescentar mais uns quatro campos diferentes. O problema: não havia mais espaço nas linhas em que o relatório deveria mostrar esse campo. Isso porque todos os campos estavam com fonte 10, e bem grudados um no outro.
Imaginando que um fato óbvio como esse pudesse simplesmente ter escapado à mente da supervisora do SAC, resolvi informá-la da situação, e dar duas opções: ou removia alguma coisa, ou transformava o relatório para o formato “paisagem”, garantindo assim mais espaço na horizontal.
Claro, nenhuma das opções foi aceita, e o email era claro: “Dê um jeito“. Só que não desse jeito, resumido, mas sim em pelo menos cinco parágrafos do mais puro “marketês”.
Ainda pensando em como fazer, liguei para a supervisora, mais uma vez comentando sobre a inviabilidade técnica de incluir esses novos campos. A resposta? “Isso não é problema meu. A ordem veio de cima, você que se vire pra inserir todas as informações que eu pedi para você.”
Ótimo. Como o cliente tem sempre razão, comecei a trabalhar. Após um pouco de esforço e ajustes visuais, o relatório estava pronto. Com todas as fontes em tamanho 4. Ficou um pouco apertado, mas coube tudo.
Desnecessário dizer, deixei uma cópia do layout antigo guardado, e enviei um email para a supervisora E para a chefe dela, ressaltando que provavelmente teríamos dificuldades para inserir MAIS informações ao relatório…..
No nosso sistema de ERP (e imagino que em em pelo menos 99% de outros sistemas) há a opção de criar relatórios customizados, para quando os outros 5.000 relatórios já prontos não trazem EXATAMENTE aquilo que o usuário quer.
E, como sempre, o que o usuário queria ontem não é o que ele quer hoje. E, assim, acabei recebendo um pedido para alterar um relatório de vendas por completo, exigindo assim que eu criasse um novo relatório (mantendo o antigo ainda funcionando, por via das dúvidas). Assim, copiei a estrutura básica do relatório (assim como o layout original) refiz as chamadas ao banco de dados, e montei a tela com as opções para gerar o relatório (datas, cliente, etc.).
Só que, por descuido, deixei as opções do relatório fora da ordem original. O diálogo que se seguiu com a responsável pelos testes com o relatório é surreal:
Tecle ESC para falar com um dos nossos atendentes
OK, devo admitir, já fiz a mesma bobagem que o contado nesse WTF pelo Gabriel. Claro, a situação era um pouco diferente: vários computadores pra arrumar, só um teclado sobrando, e muita, mas muita pressa. Mas não me lembro de já ter cometido o mesmo erro do cliente abaixo:
Chego no apartamento do cliente, instalo o notebook
para ele, verifico a conexão com a internet, e a impressora. OK, tudo funcionando. Quando já me preparo para ir embora o cliente chega e fala: “Espera Gabriel, deixa eu ver se os sites de banco se estão funcionando”. Até ai tudo bem.. Até que o cara resolve entrar no site de um banco que, por sinal, estava implementando um novo processo de segurança.
Ele preencheu ou cadastros, clicou em “enviar”, e gerou um erro. Tentou mais uma vez, e o mesmo erro. Na terceira tentiva: conta bloqueada. Solução? Ligar para o 0800.
Eu não sei porque minha presença ali ainda era necessária, já que estava tudo funcionando no notebook, mas fiquei lá. Depois de 10 minutos tentando conseguir linha no 0800, o meu cliente consegue ser atendido. Fiquei uns dois minutos ouvindo a ligação. Acredito que a opção que ele queria era a numero 2, já que ele começou a clicar a tecla do 2 no notebook. Clicou com mais força (numa dessas o teclado tava com a tecla 2 estragada…).
Eu olhando aquilo já tava quase rindo da cara dele resolvi ajudar, ai eu disse: “Eu acho que é o 2 no telefone que tem que apertar”. Funcionou, até que a nova opção era a 4. Adivinhem o que aconteceu…
Alexsandro Felix nos manda mais uma contribuição. Se no meu trabalho eu luto para fazer as pessoas entenderem que “internet” engloba todos os serviços em geral (acesso a TODOS os sites, envio e recebimento de emails, etc.), no caso dele é bem mais complicado. Afinal, você vai MESMO chamar um cliente pagante de burro?
Ligação recebida pelo Depto. Financeiro de um provedor onde trabalhei:
- Alô… Eu tô ligando para vocês diminuirem o valor de mensalidade do meu plano.
- Senhor X, não é possível diminuir o valor de sua mensalidade, pois o senhor já é assinande de nosso plano básico, ou seja, do mais barato.
- Mas é que eu estou pagando muito caro por isso e eu nem uso.
- Sim, mas como eu expliquei anteriormente, o senhor já assina o nosso plano básico e nós não trabalhamos com o sistema de tempo, o senhor usando mais ou menos tempo não irá alterar o valor, mas sim a velocidade que o senhor assina que define o seu plano…
- Escuta aqui, eu tô falando que eu quero que vocês diminuam o valor da minha mensalidade de um jeito ou de outro, porque como eu tô falando pra você eu nem uso a internet, o que me interessa é só o MSN!!!
Agora me digam, o que a gente pode dizer pra um cliente assim???
