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Confiando nos dados da planilha

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Category : Sistemas, Usuários, WTF

Isso rolou há muitos anos, quando eu ainda era um novato. Na empresa não havia condições de comprar licenças para o MS-Office, e na época o OpenOffice ainda era algo muito mais alfa do que beta. Como as opções eram mínimas, acabei instalando como padrão um pacote gratuíto, chamado 602Office.

O 602 era, na melhor das definições, um programa que quebrava um galho, e eventualmente conseguia abrir documentos do MSOffice. Vejam bem: abrir, e não interpretar corretamente. Mas, nas condições que tínhamos, era o melhor que podíamos ter sem cairmos na pirataria.

Em um dado momento, foi necessário criar uma planilha para uma missão especial: organizar todo o sistema de fretes dos produtos, que até então era computado manualmente (e não poderia ser incorporado ao sistema). O problema é que cada empresa de transportes possuia um sistema pessoal, e parecia ser um trabalho quase impossível organizar tudo em uma planilha onde tudo o que você precisasse fazer fosse digitar a quantidade dos produtos e a transportadora, e no final ter o peso final e o valor do frete.

Muitas semanas de trabalho duro, conversas com funcionários, definição de padrões, e uma quantidade absurda de ‘IFs’ nas células depois, foi possível montar a planilha praticamente perfeita: numa aba ficavam os produtos, em outra os dados das transportadoras, e na terceira alguns dados extras, que se fossem preenchidos gerariam todos os dados necessários. E era fácil atualizar com novas transportadoras e produtos, se necessário. Detalhe: o 602 não permitia proteger planilhas.

Os dias foram virando semanas, as semanas viraram meses, e os meses viraram anos. Um belo dia, uma funcionária do comercial me liga, informando que a planilha estava gerando o valor de frete incorretamente. Ao observar o documento, pude ter uma pequena visão do inferno: campos que continham fórmulas haviam sido substituidos por números, colunas importantes estavam todas em branco, e algumas das células que deveriam trazer um valor importante estavam apagadas. Era simplesmente impossível a planilha trazer o dado correto.

Perguntei para a funcionária o que havia acontecido, e ela respondeu não saber, já que só havia começado a mexer com aquilo a poucos dias. Investigando mais a fundo, fui aos poucos descobrindo. A funcionária que originalmente foi treinada pelo uso da planilha saiu, e no processo treinou uma outra garota. Essa garota entendeu pouco do uso da planilha, e ficou por isso mesmo, até que ela precisou treinar outra, que entendeu menos ainda, e assim por diante, até que em um dado momento ninguém mais sabia exatamente como a planilha funcionava, elas apenas acreditavam que os dados ali estavam corretos, e pronto. Sempre que eu perguntava para alguém o que havia ocorrido, a resposta era a mesma “Fui ensinada assim, e sempre foi assim”.

Resultado: durante um período de tempo, todas as contas para gerar os fretes saiam com o valor errado. E, como o financeiro não conversava com o comercial, era bem provável que o valor pago era MUITO diferente do valor avaliado antes de entregar o produto.

Foi necessário criar do ZERO uma nova planilha, já que a original estava perdida. E, dessa vez, já com o OpenOffice, pude proteger algumas células. E colocar VÁRIOS avisos em células próximas células importantes, com avisos como “não mexa aqui, mesmo que sua vida dependa disso”, “use esse valor na planilha X1″, “não encoste aqui”, e por aí vai. E, sempre que a tarefa de gerar custos de frete era passada para outra funcionária, eu pessoalmente treinava a mesma para que não houvessem novos desastres…

Tudo pela segurança

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Category : Suporte, Usuários, WTF

Essa aconteceu muito tempo atrás, na antiga empresa em que trabalhava. Uma funcionária nova, de “médio escalão”, era extremamente paranóica com a segurança de seus dados: não admitia que ninguem soubesse as senhas dela, não aceitava que as contas de email fossem totalmente configuradas pelo CPD (já que assim saberíamos sua senha), e chegava aos cúmulos de exigir que eu ficasse a uma distância razoável quando ela precisava de alguma ajuda, mas precisaria digitar a senha.

Sim, isso mesmo: sempre que eu ia prestar algum suporte (ver um problema no email, por exemplo), eu tinha que chamá-la para digitar a senha e, antes de chegar em alguma tela que tinha que digitar nome e senha eu tinha que sair de perto, esperar ela chegar na tela e colocar o nome de usuário e senha, me chamar, e só então continuar o trabalho. O tipo de coisa cansativa, considerando que eu sempre era chamado para resolver algo.

E assim foi, até o dia em que ela me chamou, e quando cheguei na sala dela a mesa estava vazia. “Vou adiantar o trabalho” – pensei. E qual não foi minha surpresa ao descobrir que ela havia marcado a opção de salvar senha para todos os formulários mais importantes? Sim, isso mesmo: Proxy – senha gravada. Webmail – senha gravada. CRM – senha gravada. E por aí vai.

Quando ela voltou, comentei sobre isso, em tom de brincadeira. Tanta paranóia com senha, mas qualquer um podia chegar e ver o que ela tanto queria esconder. Na mesma hora, a expressão dela se alterou, e numa mistura de raiva com confusão, ela começou a gritar “Como assim? O que você viu? Por que você mexeu nas minhas coisas?“.

Mesmo explicando que não havia mexido em nada que não fosse da minha competência e que a falha era dela por salvar todas as senhas e deixar o computador ligado quando não estava na sala, a confusão continuou e acabou indo parar na mesa do gerente.

Como resultado, todas as senhas foram apagadas do computador dela, e eu não era mais obrigado a ficar uns 10 metros afastados. Só precisava virar o rosto quando ela quisesse digitar alguma senha…

Imagina então quando eles descobrirem o MSN….

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Category : Suporte, Usuários, WTF

Null_terminated nos manda uma história já clássica entre técnicos que trabalham com usuários pouco habituados a novidades tecnológicas, como email

Este WTF mostra que além da preguiça mental já bem conhecida, os usuários apresentam uma imensa arrogância e desrespeito aos procedimentos, sempre buscando uma forma de dar aquele “jeitinho”, e fazer as coisas da forma que acha mais conveniente.
Existe um(a) funcionário(a) na empresa que eu trabalho, que digamos tem uma função indefinida (assim como não são bem definidos os motivos desta pessoa ainda estar na empresa), mas tudo bem, isso não vem ao caso no momento. Os acontecimentos se desenrolaram da seguinte forma:

Antes de desenvolvermos e implantarmos o sistema de chamados, existia uma politica na empresa de que qualquer solicitação ao depto. de T.I. deveria ser documentada via e-mail, e o(a) usuário(a) em questão tinha uma demanda com um certo nível de urgência (na escala de 0 a 10 levava um 3 ou 4), após falar com o(a) usuário(a), sugeri educadamente que o(a) mesmo(a) enviasse um e-mail para mim com cópia para o gestor do depto. de T.I. Achei estranho porque o(a) usuário(a) desconversou e agradeceu com um seco “tá, obrigado(a)”.

Eu fiquei tranquilo, esperando para dar sequência ao trabalho assim que o
e-mail com a solicitação chegasse a minha caixa de entrada. Algum tempo se passou, até que ao encontrar com o(a) usuário(a), fui cobrado novamente. Dai perguntei em tom sóbrio (sem nenhum sarcasmo):
- “Você já mandou o e-mail?”
Em seguida veio a pérola!
- “Não, eu já havia lhe pedido isso, E-MAIL É COISA DE QUEM NÃO TEM O QUE FAZER!”

Eu engoli a seco, falei “tudo bem”, e fui contar o acontecido ao meu gestor, que graças ao bom Deus, é uma pessoa sensata e sustentou a posição defendida por mim. Após tudo isso, implantamos um sistema de controle de chamados, e com o apoio integral da diretoria, foi normatizado que nenhuma requisição ao depto. de T.I. deveria ser feita sem a abertura de um chamado. Na reunião em que a diretoria instituiu como canal de comunicação padrão entre os usuário e o setor de T.I. o sistema de chamados, estava lá presente, caladinho(a), o(a) usuário(a) problematico(a)… Fiquei de alma lavada!

Contos do suporte

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Category : Suporte, Usuários, WTF

Bruno Godoi, que trabalha em uma loja de informática, compartilha conosco alguns dos melhores momentos com os clientes…

Quem trabalha com manutenção de informática[bb] sempre acaba por encontrar vários clientes sabichões, que adoram mexer em seus máquinas e acabam aprontando muitos WTF’s.
No meu caso especifico tenho um cliente que a cada vez que resolve mexer em sua
máquina acaba aprontando loucuras inimaginaveis.

Das muitas, a instalação de um HD extra ele resolveu deixar HD e Drive bem distantes na máquina. Para seguir seu plano usou um cabo com saida para dois dispositivos. Só que ao invés dele colocar os dispositivos na posição correta, resolveu conectar o meio do cabo na mobo e as pontas nos dispositivos, e como não deu certo resolveu vir reclamar que o cabo que havia usado estava ruim!
A última dele foi com as conexões USB frontais da máquina, que devem ser plugados na mobo, mas como ele não achou direito o lugar resolveu conectar no lugar mais visivel. Só que acabou conectando na saida de energia do cooler auxiliar. E mais uma vez vem ele reclamando que nada funciona. Cada cliente!

Da próxima vez, tente cortar o fio vermelho da fonte…

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Category : Suporte, Usuários, WTF

A coisa mais comum quando se trabalha em um local que gera grandes quantidades de papel é o usuário deixar um grande peso sobre o teclado (normalmente, quantidades obscenas de documentos), fazendo com que algumas teclas fiquem pressionadas pelo peso e o computador comece a emitir sinais sonoros. Já contei no passado sobre um caso…. bem…. altamente bizarro de peso no teclado, mas dessa vez é Bruno Gasparetto quem conta uma dessas:

Bom, de uma certa forma é uma economia, certo?

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Category : Usuários, WTF

Essa se passa muitos anos atrás, quando a empresa precisou passar por reformas de emergência, e com isso a verba ficou curta. Todos os setores foram comunicados que medidas para retenção de gastos estavam sendo tomadas, e cada um deveria ajudar de alguma forma. Para o TI, a regra era diminuir ao máximo os custos com impressão (na época, a única coisa que realmente gerava custos e tinha relação direta com o setor).

Assim, comecei a levantar custos de página para cada impressora, médias de impressão por mês, quantidade de cartuchos de tinta gastos nos últimos meses, e até mesmo quantidade de páginas coloridas impressas. No final de uma semana, já tinha organizado tudo, e seria possível com alguns poucos procedimentos (que incluia treinamento aos funcionários) diminuir drasticamente o valor gasto por página impressa. Tudo indicava que meu setor seria (sem falsa modéstia) exemplo de efetividade para os outros.

Até que, poucos dias depois, enquanto arrumava o computador de uma usuária no Comercial, percebi que uma menina estava em frente à impressora, imprimindo uma série de folhas, e RASGANDO as mesmas, assim que a impressão acabava. Isso mesmo: ela esperava o papel sair, dava uma olhada rápida, rasgava o papel, pegava a próxima folha, e continuava o processo. Intrigado, perguntei o que ela estava fazendo:

“Ué, eu não quero essas folhas! Eu só quero uma página do documento!”

Ou seja: ela tinha um documento de quase 50 páginas, precisava da página 25 (mais ou menos), e mandou imprimir TODO o documento, rasgando o que não lhe interessava. Como na época ainda tinha um pouco de bondade no coração, resolvi apresentar para todas aquele recurso presente no Windows que permitia ESCOLHER a página a ser impressa. Parecia que dessa vez, a coisa ia funcionar.

Ou não.

Ainda bem que ela não trabalha em nada crítico….

(5)

Category : Sistemas, Usuários, WTF

Dias atrás, precisei criar, em “caráter emergencial”, um sistema no site da empresa para realização de uma “pesquisa de satisfação”. E, por caráter emergencial, eu quero dizer o resultado exato do diálogo “Olha, isso eu consigo fazer em uns três dias, se quiser bem feito” – “OK, entrega amanhã então”.

Como a criação da pesquisa envolvia a inclusão de pelo menos 96 elementos ‘radio button’, mais outros campos, parecia ÓBVIO que mais alguém além de mim deveria testar o sistema antes dele ser efetivamente utilizado. E acabei passando essa tarefa para a responsável pelo pedido de criação do sistema. Afinal, ninguém melhor que ela para saber se algo estava certo ou errado, correto?

Mas nem pela nossa amizade?

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Category : oops!, Suporte, WTF

Quem trabalha com informática padece da mesma maldição que médicos, advogados, dentistas e cafetões: não importa onde você esteja, nem a situação, SEMPRE vai ter alguém que você acabou de conhecer, dizendo “Ah, você trabalha com computador? Olha, eu tenho um micro lá em casa, e ele tá muito estranho. Você sabe o que pode ser?” – Normalmente, a pessoa nem mesmo sabe descrever o problema, acredita piamente que você TEM que ajudá-la, e não aceita que você COBRE por isso. Que levante a mão quem nunca teve que prestar “suporte virtual” pra alguém no meio de uma festa, evento, ou reunião…

1 X 0 pro Racíocinio Lógico….

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Category : dicas, Sistemas, WTF

Semanas atrás, meu superior me ligou, perguntando se eu estava sabendo de um problema que estava rolando no sistema, com relação a títulos enviados para o banco. Respondi que não, e imediatamente fui ‘escalado’ para resolver um problema que já durava há mais de dois meses: alguns títulos não eram reconhecidos pelo banco. E eu tinha que descobrir a causa do problema em menos de um dia, pois alguns desses títulos já estavam para vencer.

Explicando: nosso sistema (assim como qualquer outro, imagino), logo após emitir nota fiscal dos produtos vendidos, também permite a emissão de boletos para que o cliente efetue o pagamento. Esses boletos possuem uma identificação, e para facilitar todo o processo de pagamento e reconhecimento pelo banco, o mesmo exige que seja enviado diariamente um arquivo com informações dos boletos (ou títulos, como preferir), utilizando um software próprio (cada banco usa um sistema diferente). Esse arquivo é gerado pelo sistema, contendo todas as informações referentes aos boletos emitidos. Mas, de uma hora pra outra, alguns títulos enviados acabavam sendo rejeitados pelo banco, o que trazia uma série de problemas, até mesmo na hora de identificar se o cliente realmente havia pago o boleto.

E o problema se alastrava há dois meses. E eu tinha um dia pra descascar esse abacaxi.

Normalmente, é aqui que os funcionários de TI ficam loucos e começam a correr atrás de soluções bizarras ou explicações malucas para tentar explicar o bug. Mas, acostumado a sofrer com problemas malucos e prazos apertados, me acostumei a utilizar um sistema conhecido como análise da causa raiz, muito utilizado em empresas que possuam certificação ISO. Com a análise da causa raiz, o que é necessário é entender o erro, listar algumas possíveis causas para o mesmo, e testar essas causas, até que uma se mostre a ‘verdadeira’.

Não é porque não uso que não preciso dele funcionando!

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Category : Sistemas, Usuários, WTF

Temos um sistema de controle de dados comerciais na empresa que, digamos assim, funciona. OK, talvez eu esteja sendo chato, o sistema até que não é tão ruim, comparado com muitos que eu já vi, mas alguns detalhes chatos me incomodam, como a necessidade de ter que instalar os arquivos localmente (apesar do BD ficar no servidor) e a interface que lembra muito o Windows 3.1. Um dos principais problemas do software é que algumas funções dependem exclusivamente do MS-Office, mas conseguimos convencer a empresa que nos vendeu o software a adaptar alguns dos recursos para o OpenOffice. Uma ou outra coisa não pôde ser adaptada, mas nunca foi nada de importante…

Ok. Alguns meses depois da implantação, recebemos uma atualização do sistema. Como sempre, iniciei todo o processo típico de atualização (testar exaustivamente, comunicar um dia antes, fazer backup de tudo, comunicar que o sistema vai sair do ar, perceber que ninguém saiu, derrubar os usuários e deixar o sistema offline, fazer as atualizações necessárias, liberar o acesso, e finalmente pedir para que os usuários reportem algum problema).

Tudo atualizado, o sistema rodando tranquilo, até que a supervisora do setor me liga, perguntando se houve algum problema com a atualização. Como não havia nenhuma chamada, respondo que até o momento estava tudo ok, mas pedi para que ela verificasse com as funcionárias se elas haviam encontrado algum bug no sistema.

E, cinco minutos depois, uma usuária envia um email com vários screenshots de mensagens de erro, informando que todas as telas eram importantíssimas, e que a solução daqueles erros era urgente. Verificando as telas de erro, percebi que todas chamavam alguma função do MS-Office, e, achando que talvez as nossas implementação tivessem se perdido na atualização, enviei um email para o suporte do sistema, pedindo uma solução rápida.