… e o povo que trabalha comigo ultrapassa esse limite sem esforço algum.
Na segunda-feira (sim, trabalhei na segunda-feira de carnaval, meu trabalho é escravidão, life sux, etc. etc. etc…..), uma funcionária me liga, dizendo que tinha um problema no novo sistema (em uso a oito meses…), que ela sozinha não estava conseguindo resolver. Até aí tudo bem, se o erro em questão não fosse causado por falha humana (o dela), e não pudesse ser resolvido se ela simplesmente tivesse se esforçado em ler a mensagem de erro.
Resumidamente, o sistema não deixava faturar uma nota. Lendo a mensagem de erro, o problema era óbvio: não havia, no sistema, nenhum lote disponível no depósito que ela estava tentando faturar. Pessoas normais iriam ler a mensagem de erro no sistema e pensar “hmmm…. aqui diz que não tem lote em aberto com essa quantidade no sistema. Mas, se tem no físico, deve haver algum problema. Como eu sou o responsável pela transferência, será que não posso ter esquecido de alocar os lotes transferidos no depósito de faturamento?“. Mas as pessoas que trabalham comigo não são pessoas normais.
A ostra em questão pensou “hmmm…. se eu continuar tentando, talvez funcione“. Ou seja, ela executou os mesmos passos por mais ou menos 1 hora, antes de me ligar. Normalmente, soluções como forçar algo de forma repetitiva e violenta funcionam muito bem em casos de parafusos maiores que os buracos, ou em estupros. Obviamente, não era o caso aqui. Ela simplesmente não leu, ou leu e não conseguiu interpretar, ou leu, interpretou, mas não conseguiu pensar em uma solução simples para resolver uma mensagem de erro óbvia. Em qualquer um dos casos, tenho medo de imaginar que gente assim vota, dirige, pode ter porte de armas, e, por Deus, consegue até mesmo procriar!
Posso estar parecendo injusto, mas o ponto é que não sou. Não estou falando de um problema que exige PhD em astrofísica para entendimento, mas sim de algo que requer apenas o reconhecimento de uma série de caracteres que formam palavras (e, por consequência, formam frases), e chegar a soluções racionais, com base no conhecimento que ela possui. Tipo, pensar em uma solução para um problema simples. No caso, se pudéssemos traçar uma linha imaginária mostrando o grau de inteligência dos seres, essa falha na escala evolutiva que sou obrigado a chamar de colega de trabalho (e que possui a minha idade, curso técnico de administração e está cursando o ensino superior…) iria se situar entre uma ostra e meu sobrinho de dois anos e meio (que levou cinco minutos e duas tentativas para perceber que o método que ele estava usando para encher uma piscina de bolinhas não estava funcionando). Com ela logo depois da ostra, e meu sobrinho do outro lado da linha imaginária, claro.
E esse não é um caso isolado. Vários dos meus ‘colegas’ de trabalho são assim, incapazes de usar um mínimo de massa cinzenta além do necessário para respirar, comer, falar mal da vida dos outros, e comentar o BBB7.
O motivo? Preguiça, na minha opinião. As pessoas estão se tornando cada vez mais preguiçosas. Elas perceberam que, se quiserem, podem deixar a televisão formar a sua opinião. Podem deixar que os computadores façam o trabalho pesado de processamento de informações. Podem copiar um texto da Wikipedia e finalizar um trabalho da faculdade em cinco minutos. E, caso tudo isso ainda dê muito trabalho, podem exigir que alguma outra pessoa o faça. É o que fazem comigo.
E, assim, a mesma humanidade que inventou a roda, o sistema de cultivo, as vacinas, e a pizza de borda recheada, vai as poucos transformando-se em um grupo de animais que entendem “Impossível alocar lote. Verifique se existem quantidades disponíveis em estoque” como “blablbablablabalbalabalbla chame o suporte”.

Bah.. usuário é tudo igual em qualquer lugar.
Coisas assim chegam a ser engraçadas depois de um certo ponto.
Pelo menos quando não é com a gente xP