Mas nem pela nossa amizade?

Publicado em April 30, 2008 – 3:57 pm | por GraveHeart |

Quem trabalha com informática padece da mesma maldição que médicos, advogados, dentistas e cafetões: não importa onde você esteja, nem a situação, SEMPRE vai ter alguém que você acabou de conhecer, dizendo “Ah, você trabalha com computador? Olha, eu tenho um micro lá em casa, e ele tá muito estranho. Você sabe o que pode ser?” - Normalmente, a pessoa nem mesmo sabe descrever o problema, acredita piamente que você TEM que ajudá-la, e não aceita que você COBRE por isso. Que levante a mão quem nunca teve que prestar “suporte virtual” pra alguém no meio de uma festa, evento, ou reunião…

No meu caso, a média de novos funcionários que fazem essa pergunta no mesmo dia que são apresentados a mim é de uns 80%. Com uma incidência tão alta, criei várias técnicas diferentes para fugir desse tipo de chato. A mais comum é ‘chutar’ um motivo simples, salientar que não suporte para problemas fora da empresa, e indicar uma loja. Foi o que eu fiz com uma funcionária nova: comentei que o fato do computador ligar, mas ficar tudo escuro poderia ser problema ou na fonte, ou na placa-mãe, ou no processador, ou em qualquer outra peça interna (hehe), e dei o nome de uma loja que eu confiava. Problema resolvido, ela tomaria Simancol e levaria o computador para o loja, como qualquer ser humano normal, certo?

Errado. Hoje de manhã, meu telefone toca, e é essa funcionária:

“Oi, tudo bem? Então, comprei as peças que você pediu, queria ver uma hora pra você instalar….”

Como ainda não tinha tomado minha primeira caneca de café do dia, tentei me lembrar se havia algum computador com problema, e se eu havia pedido pra ela comprar algo. Como normalmente todas as compras de informática obrigatoriamente passam por mim, e não havia qualquer motivo para eu ter pedido algo pra ela, só pude tentar entender a situação:

“Oi, desculpe, não entendi…. Que peças?”

“As peças que você falou comigo aquele dia, pra consertar o meu computador. Eu comprei na loja que você falou, quis aproveitar pra fazer um upgrade, e achei que você podia instalar…”

Nesse momento, TODAS as luzes de alerta do meu cérebro começaram a piscar.

“Olha, você deve ter se enganado, eu não falei pra você comprar peça nenhuma, eu falei que PODERIA ser algum problema nelas, mas deixei claro que você deveria levar na loja!”

“Mas na loja eles iam cobrar o conserto! Se eu já comprei o que você disse que estava queimado, por que você não pode instalar pra mim?”

“Olha, eu falei aquele dia que não prestava serviços por fora. E, mesmo que eu fizesse, pode ter certeza de que eu cobraria muito mais do que a loja.”

“Como assim, cobrar? Você não poderia fazer de graça? É tão fácil….”

“Não, não poderia fazer de graça. Aliás, nem mesmo poderia pegar o serviço. Tenho outros compromissos fora da empresa, e não tenho tempo pra isso.”

“Mas… e o que eu faço com as peças? Só conheço você pra consertar meu computador!”

“Leva na loja. Lá eles poderão ver qual o problema no seu computador e trocar as peças que realmente estiverem com defeito.”

“Mas lá eles vão COBRAR PELO SERVIÇO!”

“Sim, é assim mesmo que elas trabalham. Agora, com licença, preciso trabalhar”.

Pessoalmente, acho que ganhei um desafeto.

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  1. 4 Responses to “Mas nem pela nossa amizade?”

  2. Por Julix on Apr 30, 2008 | Reply

    Posso estar exagerando, mas passo por isso todo santo dia.

  3. Por Bruno Godoi on Apr 30, 2008 | Reply

    Já passei muito por isso, desde a época de professor em escolinha de informática. Até meu msn fica mais tempo aparecer offline do que online após as 18 horas para evitar o suporte online.

    Isso fora cotação de produtos que está mais na cara que nunca serão comprados. Mas fazer o quê?

  4. Por Everton on Apr 30, 2008 | Reply

    Essa funcionária nova não seria do comercial, seria?

  5. Por Strozi® on May 1, 2008 | Reply

    e aqueles assim: “Vc por acaso conhece um programinha…??”

    hehehe

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