Um pouco de sentido no meu trabalho
I’ve found that the feeling of meaninglessness comes especially after the “Deployment Celebrations” of some big, “productivity-increasing” system. Congratulations! We saved MegaCorp shareholders millions each year in labor costs, and we got a fantastic bullet point to put on our resumés. But we also put an entire floor of nice, hardworking people out of work. Now, I’m sure a lot of you have felt this sense of meaninglessness as well. Fortunately, folks like Ferdy remind us that, while we may not be doctors, or astronauts, or really anyone in a position to change the world, making it run a little more efficiently every can be a good thing.
Esse post do Worse than Failure me fez de lembrar de algumas histórias legais, coisas que eu consegui conquistar no meu trabalho (e que, na maioria das vezes, nem demandou muito esforço…), mas foi o suficiente para fazer a vida dos outros menos miserável. Percebam que a história que vou contar não é nem de longe um WTF típico, mas resolvi enquadrá-la nessa categoria para…. me isentar da necessidade de lembrar de alguma história legal hoje. ![]()
Um dos grandes desafios no meu trabalho é trabalhar com um orçamento menor que a renda per capita de um Haitiano típico. Até um tempo atrás, todos os equipamentos eram contados, e usados até o limite do possível. Se um funcionário reclamava que o Pentium 100 com Win98 estava muito lento, e isso atrapalhava seu rendimento, normalmente a orientação da chefia era pegar um computador melhor de um usuário que não precisasse de velocidade e trocasse com o P100. Desnecessário dizer, isso causava discussões e brigas intermináveis. Nesse cenário, aprendi a fazer milagres com equipamentos que outros jogariam fora.
Em 2004, quando a Intranet já era usado para armazenar toda a documentação da empresa, uma funcionária fez um comentário: Como o pessoal da produção poderia ler os arquivos necessários para a auditoria trimestral da ISO, se eles não tinham acesso a um computador? O comentário era válido, e me fez perceber que, independente dos meus esforços de montar uma intranet, um servidor de emails, e o escambau, a empresa tinha 40 funcionários que eram ‘excluídos digitalmente’. E isso me incomodou durante dias.
A solução veio com a saída de um funcionário do setor administrativo, que usava um computador Celeron com placa pcchips, que raramente não travava. Como não havia ainda previsão de uso desse equipamento, aproveitei e fiz um check-up geral, testei algumas memórias que estavam marcadas como ‘defeituosas’ e instalei uma versão bem light do Linux. Imaginei que, se o computador conseguisse navegar na intranet, abrir os arquivos .pdf necessários E possibilitar aos funcionários da produção usar a internet, já seria o suficiente. Imaginei até o lugar onde essa máquina deveria ficar: na copa.
O gerente industrial, que na época era meu supervisor, foi contra. Não queria gastar com mesa, cadeira, cabeamento, essas coisas. E estaríamos ‘perdendo’ um computador com essa idéia. Não me dei por vencido: procurei por toda a empresa uma mesinha que pudesse ser usada, assim como uma cadeira velha, pedi para que guardassem, e escrevi um email para o meu supervisor E para o dono da empresa, explicando em detalhes a minha idéia, e reiterando que, embora fôssemos ‘perder’ um computador, os ganhos seriam muito maiores que o preço daquela peça. E como a licença Windows não era OEM, ainda poderíamos economizar na compra de um novo equipamento. Dessa vez, a idéia foi aceita, desde que não houvessem gastos adicionais. E, dois dias depois, lá estava o computador, em cima de uma mesa velha, com uma cadeira velha, mas rodando, abrindo arquivos da intranet, e navegando. Os funcionários da produção podiam finalmente serem ‘incluidos digitalmente’…..
E aqui a história pula pro começo de 2006. O computador na copa já havia passado por tantas ‘cirurgias’ que eu o apelidava de ‘Frank‘. E a demanda pelo uso era cada vez maior, o que gerava filas e discussões na hora do almoço, até porque ele começou a ser usado também pelo administrativo. Novamente, era hora de pensar em algo melhor. Nessa época, estavámos no meio da implantação do novo sistema, e com isso, todos os equipamentos que não suportassem o Windows XP estavam sofrendo upgrades. Nessas, percebi que tinhamos duas máquinas (um P100 e um P233, respectivamente…), cujo destino provavelmente seria o lixo, e mais um monte de peças e memórias que não teriam muita utilidade. Novamente, meus neurônios começaram a funcionar….
Fiz uma pesquisa pelo LTSP, e achei um ótimo tutorial na página do Morimoto. Logo comecei a ressuscitar os Pentium, e peguei o Frank para um novo upgrade. Uma semana depois, depois de muitas peças trocadas, um bocado de suor, vários litros de sangue (literalmente, eu me cortei feio quando colocava uma placa de vídeo, e voou sangue dentro do gabinete), e algumas reinstalações, eu já tinha o ‘Frank’ como o servidor LTSP de duas máquinas sem HD, que davam boot pelo disquete. E todas rodando Linux em uma velocidade razoável. Nessa época, meu supervisor era o filho do dono da empresa, e toda a negociação para tocar o projeto durou 10 minutos. Em pouco tempo eu já tinha mesas novas, cabeamento pronto, e as três máquinas rodando na copa.
Um ano depois, o ‘Frank’ sofreu um novo upgrade (e acho que mexi tanto nele que ele adquiriu consciência, mas isso não vem ao caso agora…), mas está lá, firme e forte. De vez em quando, o Gerente Industrial ou a mulher do dono da empresa vêm me questionar o que aquelas máquinas estão fazendo lá na copa, paradas, e eu sou obrigado a explicar o conceito de terminais burros.
Mas, sempre que eu passo perto da copa na hora do almoço, ou quando vou bater o cartão, e vejo o povo da produção navegando, jogando, curtindo mesmo aqueles equipamentos, eu esqueço dos problemas que tenho com funcionários burros e chefes ignorantes, e me sinto um pouco melhor. (eu juro que pensei em fazer um trocadilho com ‘Terminal burro’ e ‘Usuário burro’ pra encerrar, mas acho melhor deixar do jeito que está….)