Usuários, malditos usuários
Qualquer um que já tenha trabalhado com informática sabe: usuários são idiotas.
Bom, ao menos uma grande parte deles. O ponto é que, trabalhando há seis anos na área, sendo por várias vezes o único responsável por toda a área de TI de uma empresa com mais ou menos 50 computadores, eu acabei descobrindo que existem usuários (aqueles que operam o computador) e usuários (aqueles que sentam na frente do computador e simplesmente esmurram o teclado e o mouse). E não sinto vergonha em admitir que adquiri um intolerância ao segundo grupo. Quando o telefone toca e percebo que é um usuário, chego a ficar tenso.
Usuários entendem que o computador é um equipamento como outro qualquer, que requer um mínimo de entendimento para o uso. Eles não querem apenas usar, eles querem saber como usar. E, por isso, causam menos problemas. Usuários estão se lixando para o correto funcionamento do aparelho. Eles são do tipo que põe o gato no microondas, e depois tem a cara-de-pau de falar com a cara mais inocente do mundo que “ninguém nunca falou que o gato ia explodir….”
Usuários não temem o rapaz do suporte, porque eles sabem que não há o que temer. Se houve uma falha, seja do sistema ou por falta de conhecimento de um processo, um aviso do que aconteceu, com todos os detalhes possíveis, fará com que o sistema seja arrumado, e um treinamento seja feito para evitar novos erros. Usuários odeiam o rapaz do suporte. Como eles nunca têm idéia do que estão fazendo, acabam deixando passar mensagens de erro claras e só se dão conta do estrago quando é tarde demais pra tomar uma ação corretiva eficaz. Ah, e, é claro, eles nunca são capazes de descrever o que estavam fazendo pro erro ter acontecido, pois nem mesmo eles sabem o que estavam fazendo. Treinamento? Eles veêm suas dicas e alertas como sinal de arrogância, como se você não estivesse querendo ajudar, mas sim mostrar que é muito mais esperto que eles.
As diferenças vão longe. E, infelizmente, a tendência é que tenhamos mais e mais usuários, e menos usuários, mais por culpa da própria sociedade do que dos sistemas operacionais que utilizamos. Em toda história, sempre existiram pessoas com preguiça mental, incapazes de pensar, de refletir sobre o que faziam, sobre como faziam, e sobre porque faziam. Sempre existiram pessoas dispostas a jogar a responsabilidade dos próprios erros. Sempre existiram pessoas que dizem ser experientes em algo, sem o ser. O que a informática fez foi permitir que pessoas assim começassem a ter razão. Se o Sistema Operacional dá pau sozinho, se o programa de editoração de texto detona o documento sozinho, se o vírus consegue fazer o que quiser com o computador com o mínimo de interação do usuário, porque não botar logo toda a culpa no pobre do computador, e destratar aqueles que entendem do sistema?