WTF XIII - The Book is on the table
Esse não é um WTF necessariamente ligado à informática, e nem mesmo é uma história que fará vocês pensarem ‘What The Fuck?’. Mas hoje ouvi um comentário de um colega de trabalho que me fez lembrar dessa história… Mas, primeiro, uma introdução para entender todo o contexto…
Quem já leu os ‘100 GraveHeart Facts’ deve saber que aprendi a ler inglês sozinho, na raça, simplesmente para conseguir fechar o jogo Ultima IV do Master System. Todo o processo foi amadurecendo com o tempo, com novos jogos, livros e revistas em inglês (Magic: The Gathering ajudou muito também…).
Com 20 anos, eu já me considerava meu conhecimento da língua inglesa (a escrita) mediana. Aí percebi que não adiantava muita coisa só saber ler e escrever, se não sabia falar. Ou seja, eu não conhecia as pronúncias, não era capaz de entender o que me falavam, ou falar de forma a ser entendido. Resolvi treinar com filmes e músicas, e ainda hoje considero meu conhecimento básico.
O ponto é que, sempre que possível, evito comentar sobre esse meu aprendizado com as pessoas, principalmente as pessoas do meu trabalho. Meu ponto é que algumas pessoas (não todas, mas uma grande maioria) não vêem com bom olhos esses meus conhecimentos. Elas acabam pensando que eu falo isso por convencimento, ou apenas para causar inveja, e acabam me rotulando de forma negativa. Já fui alvo de muitos abusos de colegas de trabalho quando eu comentava abertamente que sabia inglês, incluindo indiretas e piadas quando eu não conseguia traduzir um boletim financeiro com jargões técnicos que elas me passavam. Assim, como todo bom mutante, resolvi esconder os meus poderes das ‘pessoas comuns’.
OK, agora a história de verdade: em meados de 2003, a empresa onde trabalho estava negociando uma nova linha de produtos com fabricantes da Inglaterra e Estados Unidos. O dono da empresa fez umas três viagens nesse período, mas o grosso das negociações e conversas acabavam sendo por telefone. Com toda essa movimentação em torno das negociações, mais a possibilidade de visitas do estrangeiro, uma das meninas do setor comercial (olha elas aí de novo…) não parava de falar sobre o curso ‘fan-tás-ti-co’ que ela tinha feito, que o inglês dela era fluente, e por aí vai.
O engraçado é que ela errava feio, tanto na pronúncia quanto na construção das frase, mas como não tinha ninguém no setor pra corrigir (por aí já dá pra ver o nível do setor…), ela espantava todo mundo e continuava inflando o próprio ego. E eu, que na época estava alojado temporariamente no setor comercial, só ficava quieto, no meu canto….
Um belo dia, o presidente de uma empresa da Inglaterra liga, justamente quando o dono da empresa estava almoçando. Como a secretária só sabia falar ‘Wait a minute, please’, ela acabou passando para a ‘única’ pessoa que sabia falar inglês disponível: a menina do comercial. O que se seguiu foi mais ou menos assim:
- “Rélou”
(silêncio)
- “Ah, o Sr. X is nóti rir“
(sim, ela falou um meio português, meio inglês… E, pra quem não entendeu, ela tentou falar “He is not here”….). Como, provavelmente do outro lado da linha ninguém entendeu nada, a menina partiu pra solução adotada pelos vendedores de praia: Falou bem devagar, e gritando:
- “SR…. X…. IS…. NÓTI…. RIR!!!!!!”
Acreditem, ela repetiu a mesma coisa umas três vezes, cada vez falando mais alto, e com maiores pausas entre as silabas. A partir daí, desesperada, ela começou a embaralhar tudo, e ficava colocando o telefone no mudo, chamando o homem de burro, porque não entendia nada do que ela estava falando. Nesse momento, eu tinha duas escolhas a fazer: continuar no meu canto, e ver a empresa perder uma boa oportunidade de negócio, OU falar com o inglês, e aguentar a aporrinhação dos outros e provável vingança da menina depois. Burro que sou, peguei a segunda opção. Levantei da cadeira, fui até a mesa da menina, pedi o telefone, e disparei
- “Sorry, but Mr. X left for lunch, and we can’t contact him now. Can you leave your name and telephone so he can contact you later?”
OK, tem erros, claro. Mas foi o suficiente para que o homem do outro lado da linha me entendesse e passasse as informações necessárias. Um “OK, thanks”, pra encerrar, e eu estava com o nome do cidadão, o nome da empresa, e também o telefone.
Com o setor todo em silêncio, voltei pra minha mesa. E tive que aguentar um inferno nas semanas seguintes. E a menina que falava fluentemente? “Ah, a ligação estava horrível, e ele falava inglês da Inglaterra, eu só conheço inglês americano….”
4 Responses to “WTF XIII - The Book is on the table”
Por Thiago Berti on Apr 19, 2007 | Reply
Bah, odeio quem fica falando que sabe inglês e não sabe…
Tive uma professora no colégio que ficava se gabando que sabia inglês, mããs assim como a guria do comercial ai ela também errava um monte(não tanto, quanto você disse, mas errava).
E… também sofri com piadinhas sobre falar inglês ou não consegui traduzir algo… u.u um saco…
Por GraveHeart on Apr 20, 2007 | Reply
O pior é quando você até consegue entender o que o texto quer passar, mas o povo pede pra você traduzir exatamente o que está escrito. Como se não valesse você falar ‘Olha, pelo que eu entendi isso aqui tá dizendo que o pagamento deve ser feito em 20 dias…’.
E essa menina era MUITO, mas MUITO burra. Lembra do WTF dos números arábicos? Ela foi uma das que perguntou!
Por Kleber on Apr 22, 2007 | Reply
Todo brasileiro sabe inglês e espanhol hihi
Por Igor C. Barros on Aug 25, 2007 | Reply
“Ah, o Sr. X Is Not Here” é o equivalente latino para “All Your Base Are Belong to Us”!!